conselho nacional de cineclubes brasileiros

O Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros-CNC nasceu na década de 60 e desde o princípio prima pela defesa dos cineclubes do território nacional, pois estes estimulam o público a discutir e refletir suas realidades e também o filme, através do cinema. O CNC teve uma atuação importante nas décadas de 60 e 70, neste período reuniu diversas entidades como associações, igrejas, sindicatos, escolas e universidades, nas quais exibia seus filmes.

Durante a ditadura militar teve suas atividades perseguidos e, em 1968 as práticas dos encontros nacionais interrompidas. Em 1974 um grupo de cineclubistas se reúne em Curitiba retomando as atividades do conselho. Neste encontro duas importantes bandeiras foram levantadas, primeiro a defesa do cinema nacional na produção, distribuição e exibição. Para sanar o problema da distribuição, pois nem todos os cineclubes possuem estabilidade financeira para alugar filmes periodicamente e os acordos com as empresas distribuidoras os tornam refém do sistema, foi criada a DINAFILMES – Distribuidora Nacional de Filmes Brasileiros.

No ano de 1976 a Federação Paulista de Cineclubes recebeu da Fundação Cinemateca Brasileira parte de seu acervo em 16mm e no mesmo ano iniciou as atividades da distribuidora, primeiro em São Paulo e depois no resto do país. Os principais objetivos da Dinafilmes seriam garantir o acesso dos cineclubes ao filmes nacionais, inclusive os curtas-metragens que na época ficavam relegados ao gueto cultural e a distribuir filmes livres de da censura e de caráter publicitário (texto retirado de: Dinafilmes e o Cineclubismo: a distribuição alternativa de curtas-metragem durante a década de 1970 no Brasil, de Flávio Rogério Rocha, 2011).

Os cineclubes surgiram nitidamente em resposta a necessidades que o cinema comercial não atendia, num momento histórico preciso. Assumiram diferentes práticas conforme o desenvolvimento das sociedades em que se instalaram. Mas assumiram uma forma de organização institucional única que os distingue de qualquer outra. O trabalho realizado pelos cineclubes diz respeito a exibir cinematografias que não estariam disponíveis ao público de outra maneira, além disso, promovem a discussão, o intercâmbio de idéias, de filmes e abrem espaços para novos profissionais (texto retirado de: O que é cineclube? De Felipe Macedo).

O movimento cineclubista brasileiro passou 15 anos desarticulado, na década de 80 devido as medidas desastrosas para o audiovisual a entidade desmantelou. Sua rearticulação e organização aconteceu em 2003 com a posse do ministro da cultura Gilberto Gil e secretario do audiovisual Leopoldo Nunes. Neste ano foi realizado a 24ª Jornada Nacional de Cineclubes Brasileiros durante o Festival de Cinema de Brasília. Depois disso, muito já aconteceu e agora a entidade se encaminha para a 29º Jornada Nacional.

Pelo o estatuto do CNC os encontros oficiais nacionais da entidade devem ocorrem em dois momentos: um na pré-jornada nacional que tem como objetivo máximo de reunir a diretoria e preparar para a Jornada Nacional, nesta ocasião se encontrará a diretoria e todos os cineclubes filiados a entidade. Como podemos perceber cada um dos encontros ocorre de dois em dois anos alternativamente.

Desde sua rearticulação o Conselho Nacional vem dando continuidade e avançando no trabalho de reorganização jurídico-institucional da entidade e implementando o programa RECUPERAR O ESPAÇO CINECLUBISTA E CONSOLIDAR UMA REDE CINECLUBISTA NACIONAL aprovado na Jornada de 2006.

Durante todo este processo tem sido marcante o apoio do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual, bem como dos realizadores brasileiros, individualmente e através de entidades representativas como a ABD, CBC, Fórum dos Festivais, APTC-RS. Paralelo ao intenso trabalho de articulação e organização interna do movimento no país e da retomada de seu relacionamento com o Cinema Nacional, foram reatadas as conexões com o movimento cineclubista internacional através da retomada da participação do Conselho Nacional na FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE CINECLUBES – FICC, onde o Brasil já teve assento, na década de 80, como titular do Secretariado Latino Americano, instância organizativa da entidade internacional.

Entre 2004 e 2006 a Federação Italiana de Cineclubes estava no comando da FICC e em reuniões e encontros o então presidente do CNC foi convidado a reingressar no grupo. Época em que ocorre o encontro da Federação em Matera/ Italia e a rearticulação do movimento latino americano e o nascimento da articulação mais ampla com todos os cineclubes dos países ibero americanos também foi reascendida. Nestas reuniões ficou decidida a realização dos ENCONTROS IBERO AMERICANOS DE CINECLUBES – EIAC no Brasil para dar seqüência às discussões iniciadas.

Ampliar o número de países participantes e viabilizar ações concretas de intercâmbio, além de oportunizar a participação de delegados internacionais como observadores da 25ª Jornada Nacional de Cineclubes, pela importância histórica que esta representava. Em novembro de 2004 foi realizado através do Centro de Voluntariado de Rio Claro, do Centro Rioclarense de Estudos Cinematográficos e da Comissão Nacional de Rearticulação do Movimento, com apoio da FICC, da SAV-MinC e da Petrobrás, na cidade de Rio Claro, São Paulo, o I Encontro Ibero Americano de Cineclubes que aprovou a Carta de Rio Claro. Nesta ocasião o Vice Presidente da FICC Sr. Paolo Minuto, membro da Federação Italiana de Cineclubes, esteve no Brasil e foi recebido em audiência pelo MinC, quando discorreu sobre a importância do movimento brasileiro na retomada da articulação latino americana e apresentou a proposta de realização dos Encontros Ibero Americanos em nosso país. Destacou ser esta uma forma de contribuir para o fortalecimento da liderança do cineclubismo nacional na região, bem como de garantir uma estruturação fortalecida do Secretariado Latino Americano da FICC.

Em junho de 2005 o presidente do CNC participou, na qualidade de delegado, do 7º International Festival of Film Society e da reunião anual da FICC, na cidade de Reggio Calabria, Itália, onde foram realizados contatos e encontros entre os representantes dos países ibero americanos que resultou na emissão da Carta de Reggio, avaliando os resultados e dando seqüência às discussões realizadas no I Encontro, em Rio Claro, SP, que propôs formalmente a realização do II ENCONTRO IBEROAMERICANO DE CINECLUBES no Brasil, em julho de 2006, na cidade de Santa Maria – RS, durante a 26ª Jornada Nacional de Cineclubes. Ficou ainda decidido que Argentina, Brasil e México organizariam a I OFICINA LATINOAMERICANA DE CINECLUBES com vistas a rearticular o Secretariado Latino Americano da FICC, entre outras questões pertinentes à região. Durante estes eventos ocorreu a reunião do Comitê Executivo da FICC que acatou as propostas apresentadas e reafirmou a importância estratégica do Brasil e de toda a América Latina para o movimento internacional. Em junho de 2006, durante o 8º International Festival of Film Society, na cidade de Matera – Itália, foi realizada a Assembléia Geral da FICC e a eleição para sua diretoria. Na oportunidade o Presidente do CNC, Antonio Claudino de Jesus, foi eleito para o cargo de Vice Presidente da FICC, numa diretoria presidida pelo italiano Paolo Minuto, para um mandato de 2 anos (2006 a 2008) sendo reeleito para o cargo no o mandato 2008 a 2010. Em julho de 2006 foi realizada a 28ª Jornada Nacional de Cineclubes, em Santa Maria – RS, que reuniu cerca de 70 cineclubes de 15 estados brasileiros e contou com a participação de instituições governamentais (SAV, CTAV, Secretaria de Cultura do RS, Prefeitura Municipal de Santa Maria) e não governamentais (ABD e CBC). Nesta Jornada foi eleita a diretoria e foi realizada uma reforma do estatuto do CNC que transformou as Jornadas Nacionais em bienais, intercaladas por uma pré-jornada, que teria o objetivo de avaliar o desenvolvimento do programa eleito na jornada anterior, reunir o Conselho de Representantes do CNC (instância deliberativa e fiscalizadora do CNC) e construir o projeto da Jornada Nacional do ano subseqüente. Nesta Jornada ficou decidido que a Pré Jornada de 2007 seria realizada na cidade de Vitória – ES. A Pré Jornada é uma instância deliberativa do movimento cineclubista, prevista no estatuto do Conselho Nacional de Cineclubes. Paralelo à Jornada foi realizado o II Encontro Ibero Americano de Cineclubes, com a participação de Espanha, Argentina, Uruguai, República Dominicana, Brasil, México e Itália, onde foi publicada a Carta de Santa Maria contendo as posições comuns a todos os países participantes e as ações futuras do movimento na região. Uma das prioridades é a realização de eventos que possam reunir os membros do grupo e, ao mesmo tempo, ampliá-lo através da busca ativa de novos países para se associarem à FICC, a exemplo dos que vêm sendo organizados pelo CNC no Brasil.

Em janeiro de 2007, durante o Atibaia Festival Internacional do Audiovisual, na cidade de Atibaia – SP, foi instituído, pela primeira vez na América do Sul, um Júri para a outorga do Prêmio “Don Quixote”, da Federação Internacional de Cineclubes – FICC, que tradicionalmente premia realizações audiovisuais com características humanísticas e educacionais, de interesse do movimento cineclubista em todo mundo.

Durante a Pré-Jornada Nacional de Cineclubes, a diretoria e 62 cineclubes de 14 estados discutiram as questões pertinentes à realidade audiovisual brasileira, persistindo em sua opção pela luta para o fortalecimento do modelo de exibição cultural, que se distingue da exploração comercial, já que nosso interesse fundamental consiste em organizar novos públicos para o cinema. Por isso ficou determinado pelo Conselho Nacional a luta pelo reconhecimento de nossas atividades nas legislações culturais nacionais. De 17 a 21 de novembro, cerca de 250 membros de 126 cineclubes de 18 estados brasileiros reuniram-se na 27ª Jornada Nacional de Cineclubes, em Belo Horizonte. O evento celebrou os 80 anos de cineclubismo no Brasil com ações que reuniram cineclubistas e o incentivo do Ministério da Cultura. Foram apresentadas e debatidas Experiências em Difusão Audiovisual, entre elas duas iniciativas do MinC: a Programadora Brasil e o Circuito Brasil juntamente com outras. A programação contou com cinco mesas de debates: 80 Anos do Cineclubismo, Projeto Cineclubista, Direitos do Público, Relações Institucionais do CNC e Cineclubismo na Educação – Cinema Escola e Comunidade. Também foram realizadas mostras de filmes e promovidos grupos de trabalho sobre assuntos como Direitos do Público/Legislação, Memória, Comunicação, Acervo e Difusão A 27ª Jornada ainda elegeu a atual diretoria do CNC para o biênio 2008/2010, composta por 20 membros e definiu que a Pré-Jornada seria sediada em Santa Maria no Rio Grande do Sul em novembro de 2009.

Na ocasião da 26ª Jornada foi criado o programa de criação de cineclubes em todo o país mais tarde chamado de Cine Mais. Em 2010 realiza-se a 28º Jornada Nacional em Moreno Recife e em 2012 se realiza da pré-jornada em Santa Maria.

Quais os objetivos do CNC

– defender e organizar o cineclubismo no país, na América Latina e no mundo;
– criar espaços de exibição; apoiar e desenvolver o setor de distribuição de filmes;
– organizar e promover a pré-jornada e a Jornada Nacional a cada dois anos;
– apoiar a criação de novos cineclubes;
– prestar assistência técnica, jurídica e administrativa aos cineclubes do país;

Fonte: Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros

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